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Guia

Que material escolher para a sua peça impressa em 3D

Não há um melhor material: há o material certo para o uso da peça. Para decoração e peças de interior, o PLA chega e é o mais fácil de imprimir. Se a peça vai apanhar calor, sol ou esforço mecânico, escolha PETG ou ABS. Se o que conta é o detalhe fino, escolha resina.

Os quatro materiais que imprimimos

Cada um resolve um problema diferente. Antes de olhar para a tabela, vale a pena perceber o que cada material é — a maior parte das más escolhas vem de pedir a um material uma coisa que ele, pela sua natureza, não faz.

PLA

O PLA é um termoplástico rígido de origem vegetal, produzido a partir de amido de milho ou de cana-de-açúcar. É o mais fácil de imprimir dos quatro: não empena praticamente nada e sai com arestas limpas. Em troca, é o menos resistente ao calor — começa a amolecer pouco acima dos 50 °C — e estala em vez de dobrar quando leva uma pancada. Para um objeto decorativo, uma maqueta ou uma peça que vive dentro de casa, é quase sempre a escolha certa.

PETG

O PETG é o mesmo poliéster das garrafas de água (PET) com glicol adicionado, uma alteração que o impede de cristalizar e o torna fácil de imprimir. Fica a meio caminho entre o PLA e o ABS: aguenta cerca de 75 °C, resiste bem à humidade e a muitos produtos químicos e, sobretudo, é tenaz — dobra e amolga antes de partir. A sua mania é deixar fios finos entre as paredes, que saem no acabamento.

ABS

O ABS é o termoplástico das peças de Lego e das caixas dos eletrodomésticos. Dos quatro, é o que melhor aguenta temperatura: mantém-se firme acima dos 90 °C, o que faz dele o material das peças que vivem dentro de um automóvel ou perto de uma fonte de calor. O preço paga-se na impressão — encolhe ao arrefecer, exige câmara fechada para não empenar nem abrir camadas, e liberta vapores que obrigam a boa ventilação.

Resina

A resina não é um fio: é um líquido fotossensível que endurece camada a camada quando a luz ultravioleta lhe toca. É o que explica o salto de detalhe — camadas na ordem das centésimas de milímetro, arestas vivas e superfícies onde quase não se veem linhas. Em contrapartida, a peça curada é rígida e quebradiça, amarelece com exposição prolongada ao sol e obriga a lavagem e pós-cura antes de ir para as mãos de alguém.

Comparação lado a lado

Os valores de temperatura são a ordem de grandeza a que o material começa a perder a forma, e não um limite exato: variam com a marca do filamento, com a espessura da peça e com o tempo de exposição.

Resistência, temperatura, detalhe, flexibilidade e uso típico de cada material
MaterialResistênciaTemperaturaDetalheFlexibilidadeUso típico
PLARígido, mas estala ao impactoAmolece a ~55 °CBomNenhuma: parte antes de dobrarDecoração, maquetas, peças de interior
PETGTenaz: dobra e amolga antes de partirAguenta ~75 °CBom, com tendência a deixar fiosLigeiraPeças funcionais, suportes, objetos de exterior
ABSMuito resistente ao impactoAguenta ~95 °CMédioLigeiraPeças técnicas, caixas, interior de automóvel
ResinaRígida e quebradiçaVaria muito com a formulaçãoExcelente, o melhor dos quatroNenhumaMiniaturas, joalharia, peças pequenas com detalhe

Num ecrã estreito, a tabela desliza para o lado.

PLA ou PETG?

PETG se a peça tiver de trabalhar, PLA se tiver de ser bonita. Em concreto: tudo o que fique ao sol, dentro de um carro, numa casa de banho ou na rua, e tudo o que leve esforço e pancada, pede PETG. Decoração, figuras, maquetas, protótipos de forma e peças de secretária saem melhor em PLA, e com menos trabalho de acabamento. Na dúvida entre os dois, para uma peça de interior que não aguenta carga nenhuma, o PLA ganha.

O ABS vale a pena?

Só quando é o calor que manda. Em quase tudo o resto o PETG faz o mesmo trabalho com metade dos problemas: não encolhe ao arrefecer, não precisa de câmara fechada e não liberta vapores. O ABS compensa quando a peça tem de aguentar acima dos 80 °C de forma continuada — o tablier de um carro ao sol passa isso com facilidade — ou quando se quer o acabamento liso e brilhante que só ele permite, com vapor de acetona.

Quando é que a resina compensa?

Quando o detalhe é o produto. Miniaturas, figuras, modelos de joalharia, peças pequenas com texto gravado ou geometria fina: aí nenhum filamento chega perto. Fora disso, raramente é a melhor escolha — a mesma peça em grande sai mais frágil, gasta mais material e dá mais trabalho do que sairia em PETG. A regra prática: se a peça cabe na palma da mão e o que lhe interessa é a superfície, é resina; se tem de aguentar seja o que for, é filamento.

Que material para peças que vão apanhar sol?

PETG. São duas agressões diferentes ao mesmo tempo e só ele se porta razoavelmente nas duas: o calor dentro de um carro estacionado passa facilmente os 60 °C e deforma PLA, enquanto a radiação ultravioleta fragiliza o ABS e amarelece a resina. Para exposição permanente ao exterior, qualquer um dos quatro dura muito mais pintado ou envernizado com proteção UV do que deixado à vista.

Ainda não sabe qual escolher?

Se a peça que quer já existe feita, cada ficha diz em que material é impressa — veja o catálogo de peças impressas em 3D. Se o que tem é uma ideia, um desenho ou um ficheiro, não precisa de decidir o material sozinho: descreva-nos a peça e para que serve e dizemos-lhe qual destes quatro faz sentido, antes de haver orçamento nenhum.